quarta-feira, 3 de junho de 2009

Nanomateriais revelam incongruência entre os mundos macro e micro

Fonte: Redação do Site Inovação Tecnológica
Em mais uma descoberta que nos coloca frente à frente com as estranhezas do mundo na escala dos nanômetros, cientistas descobriram que a sílica, um mineral altamente quebradiço, torna-se tão dúctil quanto o ouro quando é cortada na forma de nanofios.

Incongruência
Os resultados, obtidos por físicos do Instituto Nacional de Padronização e Tecnologia dos Estados Unidos, deverá ter grande impacto no projeto das futuras nanomáquinas e dos dispositivos microeletromecânicos e nanoeletromecânicos (MEMS e NEMS).
Esta incongruência entre os mundos macro e micro foi verificada tanto na sílica amorfa, quanto na sílica cristalina.

Ponto de fadiga
Em macroescala, o ponto de fadiga de um material, quando ele se rompe, depende de sua capacidade de manter seu formato quando submetido a uma força. Os átomos das substâncias dúcteis - aquelas que podem ser transformadas em fios - ajustam-se na estrutura atômica e mantêm a coesão por muito mais tempo do que acontece nas substâncias quebradiças.
Estas substâncias quebradiças possuem falhas estruturais, que funcionam como pontos de ruptura quando elas sofrem a ação de uma força externa.
Em nanoescala essas falhas estruturais não existem, o que torna os materiais - de qualquer tipo - quase "perfeitos" estruturalmente. E eles são tão pequenos qua a maioria dos átomos está na superfície do nanofio, sendo capazes de se rearranjar muito mais prontamente, mantendo a integridade do material.

Átomos mais "soltos"
Estar na superfície significa que os átomos não têm ligações com outros átomos de todos os lados, o que lhes dá maior mobilidade. É a predominância desses átomos de superfície que transforma o material quebradiço em dúctil.
"Os termos 'quebradiço' e 'dúctil' são terminologias do mundo macroscópico," explica o pesquisador Doo-In Kim. "Parece que eles não se aplicam em nanoescala."

Nanomateriais pdem causar danos ao meio ambiente

Fonte: Fonte: O Globo Digital por Carlos Alberto Teixeira
Nanotecnologia tem a ver com o controle da matéria na escala atômica ou molecular, lidando com minúsculas estruturas com tamanhos na ordem de um nanômetro, que equivale à milionésima parte do milímetro. Para ficar mais fácil visualizar a pequeninez dessa medida, se o globo terrestre tivesse um metro de diâmetro, uma bolinha de gude teria um nanômetro de diâmetro. Agora, imagine a complexidade tecnológica de desenvolver materiais e dispositivos em escala tão diminuta.
As aplicações da nanotecnologia incluem mecânica, eletrônica, cosméticos, medicamentos, alimentação, biologia, química, engenharia, robótica, física e por aí vai. Mas nem todos os nanomateriais são suspeitos de causar dano à saúde, muito embora alguns sejam sérios candidatos. O primeiro deles é um material cujo nome é quase um palavrão: buckminsterfulereno, apelidado de buckyball ou buckybola. É uma molécula de carbono com formato esférico, lembrando uma bola de futebol.
Pesquisas recentes patrocinadas pelo governo britânico revelaram que buckybolas podem ser nocivas à saúde por fomentarem a produção excessiva de gordura corporal. Outra nanoestrutura bem famosa são os nanotubos de carbono, que em alguns casos são associados ao risco de câncer no pulmão e de mesotelioma, um tipo de câncer usualmente causado por inalação de amianto.
Descobriu-se também que nanopartículas de prata usadas no tecido de meias para reduzir odores desagradávels (leia-se chulé) são eliminadas na lavagem. Como são bacteriostáticas, essas nanopartículas podem destruir bactérias benignas importantes que têm a função de degradar matéria orgânica em usinas de processamento de lixo.
Além disso, um estudo da Universidade de Rochester, nos EUA, descobriu que nanopartículas inaladas por ratos ficaram alojadas no cérebro e no pulmão, elevando os biomarcadores indicativos de inflamação e estresse.
Há também incertezas quanto ao impacto ambiental causado por essas nanoestruturas, o que vem motivando a realização de análises que infelizmente são muito mais lentas do que a velocidade com que surgem as inovações nesse ramo de pesquisa.
De acordo com um relatório da empresa Lux Research ( tinyurl.com/lux-research ), as grandes corporações têm sido os maiores propulsores da comercialização de produtos nanotech, já tendo despendido mundialmente entre US$ 6,6 bilhões e US$ 13,5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. Só este ano a média de gastos das empresas americanas deve chegar a US$ 33 milhões em pesquisa e desenvolvimento em nanotecnologia. A expectativa é que esse total aumente para US$ 39 milhões em 2010.
Poucas grandes corporações, no entanto, vêm tendo sucesso no setor, pois todos os concorrentes ainda estão meio que titubeando quanto às melhores estratégias e estruturas organizacionais a adotar para melhor desenvolver e explorar inovações nanotecnológicas. A pesquisa da Lux entrevistou executivos de 31 multinacionais em três setores da nanotech: manufatura/materiais, eletrônica/TI e saúde/biologia.
Com o surgimento cada vez mais rápido de novos nanomateriais, é possível surjam questões de risco que não poderão ser apreciadas simplesmente tratando-os como misturas de compostos químicos.
Na maioria dos países, a regulamentação ainda é vaga com relação ao uso de nanomateriais e procedimentos envolvendo nanotecnologia em laboratórios e locais de trabalho, e a questões de comercialização e uso de produtos químicos, produtos de consumo incorporando nanopartículas livres, produtos para uso na pele e nos cabelos, além de medicamentos e dispositivos médicos, entre outros materiais.
A criatividade dos cientistas nesse ramo parece não ter limite. Uma equipe de pesquisadores está desenvolvendo uma camisa-geradora, capaz de produzir eletricidade suficiente para alimentar pequenos dispositivos eletrônicos para esportistas, caminhantes e outros usuários cujo movimento físico corporal possa ser convertido em energia elétrica. O invento foi criado no Instituto de Tecnologia da Georgia, nos EUA.

Profissão: Professor - quem está preparado para exercer essa difícil função?

Fonte: Sérgio Choiti Yamazaki, Regiani Magalhães de Oliveira Yamazaki
Divulga-se hoje que Michael Faraday, um dos maiores pesquisadores da história da ciência, foi “nomeado” técnico de um importante laboratório inglês. O que não se divulga, entretanto, é que Faraday não tinha sequer Curso Superior. Sua devoção aos estudos vinha de uma motivação criada quando trabalhava como ajudante em uma loja que vendia livros. Conta-se que Faraday passou a devorar muitos deles nesse tempo, apaixonando-se por duas áreas das ciências: química e física. Em 1912, após assistir a uma palestra de um químico famoso, sir Humphry Davy, presidente da Royal Society entre 1820 e 1827, Faraday organizou anotações e as enviou posteriormente ao próprio Professor Davy. Este, por sua vez, o recomendou ao renomado laboratório da Royal Institution, que acabou recebendo Faraday em 1913. Suas contribuições à humanidade são encontradas até hoje nos livros atuais de Ciências.
Essa não é uma história isolada. Temos evidências de que muitos cientistas foram atraídos para as ciências devido a motivações causadas por ambientes favoráveis ao desenvolvimento de reflexões sobre a vida, valores sociais, ações políticas, paradigmas, estética das ciências etc.
Como ambiente favorável, entendemos qualquer motivação causada pelo que está a nossa volta, como, por exemplo, pessoas (professores, amigos, pais, parentes ...) e objetos (quadros, livros, jogos, salas devidamente decoradas ...).
Nesse sentido, extraordinários investigadores como Einstein, Freud, Darwin, Copérnico, Galileu, só para citar alguns, foram seduzidos impiedosamente ora por pais, ora por parentes, amigos ou professores, para uma eterna reflexão sobre um possível mundo inteligível. Eles ajudaram-nos a compreender melhor a natureza e suas especificidades, pois seus pensamentos formam, hoje, ao lado de muitos outros que contribuíram tanto quanto esses cientistas, artistas, músicos, a base da cultura contemporânea mundial.
Esse foi um dos resultados de um projeto de pesquisa desenvolvido na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, que tinha o objetivo de investigar a influência de um Complexo Científico (grosso modo, pode ser definido como ambiente favorável à criação de um motivo para estudos mais aprofundados) nos famosos cientistas que fizeram história.
Em particular, a maioria dos cientistas que fizeram parte de nosso estudo, foi motivada à aprendizagem por ex-professores, às vezes do Ensino Básico, às vezes da universidade.
Através desse olhar biográfico de pessoas que, guiados por forças criadas por motivações externas originadas na relação entre professor e aluno, legitimaram uma busca para dar uma lógica aos fenômenos do universo natural, e fizeram brilhantemente seus trabalhos, deixando-nos paradigmas e experiências exemplares, buscamos lamentar que hoje, depois de tantos projetos em ensino, não só no Brasil, mas no mundo, ainda há profissionais em exercício que acham que o trabalho que visa contemplar um ensino de qualidade movido por diferenciadas teorias pedagógicas, quando não tem seus objetivos completamente atingidos, fracassa devido à inviabilidade de aplicação das teorias, dos métodos, da incapacidade de aceitação do sistema, e o que é pior, dos alunos. Mas nunca um trabalho que precisa cada vez mais, num mundo fortemente capitalista e como nunca, influenciado pelas mídias, de profissionais capacitados, que estejam em permanente formação e que saibam aplicar as teorias, depois de muitos erros e acertos, idas e vindas, num processo contínuo de reformulação dos métodos.
Claro que há problemas sociais, políticos, econômicos, que influenciam diretamente a vida dos alunos. E é exatamente por isso que se faz necessário repensar as estratégias didáticas, os modelos pedagógicos, as novas propostas de ensino. Por exemplo, há trabalhos inspirados em analogias entre o trabalho do psicanalista e dos professores, que sugerem conquistar alunos, mostrando que na escola também há coisas interessantes, e que ela pode oferecer um futuro cheio de vitórias. Nesse sentido, é preciso sensibilizá-los através do compromisso que temos com eles.
Podemos já contar com um bom número de trabalhos, teses e dissertações que se usaram de teorias da personalidade para planejamentos didático-pedagógicos. Há inúmeras publicações em revistas nacionais e internacionais que relatam experiências promissoras de uso de sistemas inovadores na prática do professor, que deram aos aprendizes, suporte teórico e motivacional para prosseguimento em estudos mais avançados.
São nos cursos de Formação Continuada que esses resultados são divulgados. Há inclusive cursos que oferecem bolsas para professores em exercício, como acontece, por exemplo, em um Projeto coordenado pelos professores Alberto Villani e Jesuína Lopes de Almeida Pacca, na Universidade de São Paulo.
Através de eventos e congressos de extensão, como o Congresso Brasileiro de Extensão Universitária (CBEU) – que aconteceu na UFSC, em 2006 – e o Seminário de Extensão Universitário da Região Centro-Oeste (SEREX-CO) – que aconteceu na UFMS, em Campo Grande, nesse ano, também são divulgados trabalhos de inovações tecnológicas, didáticas e pedagógicas; experiências de ensino que se mostraram potencialmente hábeis em provocar mudança no perfil cognitivo do aprendente.
A própria Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC- tem como objetivo divulgar a ciência, para mostrar que vale a pena investir no pesquisador; neste caso específico, no pesquisador em Ensino ou da Educação. O fato é que muitos educadores não sabem que há pesquisadores em Ensino. Acham que ensino é para sala de aula, e só. Que não há necessidade de um trabalho maior de contemplação das teorias, dos estudantes, do mundo; a sala de aula é parte desse todo.
Ensinar não é para todos, apenas porque resolveram se tornar professores. Ensinar é para quem desenvolveu no seu íntimo um compromisso com a arte de educar, com a arte de escapar de subjetivações sempre inerentes a esse processo, considerando-as na ótica de teorias aceitas pelas sociedades científicas ou em processo de análise (quando há revoluções científicas).
Como demonstrou Faraday, não é preciso de diploma para que seja um bom cientista. Na educação não pode ser diferente. O mais importante é a leitura atenta de referenciais teóricos que dão suporte ao trabalho como docente, em qualquer nível de ensino. Não podemos achar que nossas experiências cotidianas como ex-alunos, são suficientes para que sejamos bons professores. Precisamos conhecer nossos alunos, novas propostas de estratégias de ensino, novos paradigmas da educação, relatos de experiência de professores; precisamos participar de eventos, contribuir com novos resultados, trabalhar em conjunto. Precisamos, pois, ler, estudar ..., e sempre.
No entanto, acima de tudo, a relação entre professor e alunos deve ser sempre guiada por boa relação afetiva. Nenhum método pode dar certo quando inserido numa relação desgastada, sem boa afetividade. Um método pode ser potencialmente aplicável quando os indivíduos nele inseridos não possuem desgaste emocional com as relações entre as pessoas desse meio, pois caso contrário, poderá haver demasiado consumo de energia em processos subjetivos, pelos aprendizes, que poderia ser usada pela cognição.
Essa semana, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), no qual consta que o Brasil, em meio a cinqüenta e sete países, está entre os piores do mundo em educação. Este é o reflexo de falta de investimento sério, por parte dos vários governos que tivemos, no qual se inclui sem dúvida alguma, melhores salários. Nos países que se encontram nos primeiros lugares, professores têm salários dignos e são “milagrosamente” respeitados pela população.
Portanto, não são as teorias pedagógicas ou metodologias de ensino que não funcionam. É a falta de seriedade, aliada à falta de competência, de formação adequada, de formação continuada.
Claro que há muitos educadores sérios, compromissados, que fazem leitura corretamente contextualizada da educação no Brasil. Somos a resistência do descaso.
Afinal, quando algo não vai bem, trabalhamos para melhorá-lo e lutamos por mudança, ..., ou deixamos de fazer nossa parte?
Contudo, inspirados na leitura da pesquisadora e psicanalista, Leny Magalhães Mrech (através de artigos e livros), percebemos que há dois tipos de profissionais: aquele que “não sabe e tem raiva de quem sabe”, ou seja, aquele que desconhece o próprio conteúdo que deveria ensinar em meio a um processo pedagógico, e aquele que “sabe que não sabe”, ou seja, o professor que percebe que precisa estudar mais, ler mais, para mudar, sempre freqüentando cursos e atualizando seus conhecimentos, contemplando o que um exemplar professor da Sorbonne já dizia: “professor sempre tem que voltar à escola” (Bachelard). É interessante lembrar que, apesar de ser conhecido como professor da famosa Universidade de Paris, Bachelard foi professor no Ensino Básico por vinte anos.
A escola de Bachelard, para a qual o professor tem que voltar, é a escola da inovação. A ludicidade e o uso de recursos multimídia em sala de aula, por exemplo, são propostas que demonstraram, quando aplicados em sala de aula, os melhores resultados com relação à aprendizagem e certa mudança cognitiva nos alunos. Muitas outras sugestões foram nos últimos anos, principalmente nesta década, publicadas em anais de congressos, revistas especializadas ou divulgadas em cursos de extensão.
Portanto, para conhecê-las, é preciso, de fato, retornar à universidade, à sala de aula. Pois nosso maior instrumento de trabalho, é a reflexão, o pensamento, o uso de nossa capacidade de imaginar relações, de divagar, de devanear. A experiência, mesmo que muitas vezes amarga, deve ser fonte, e não ausência de possíveis interpretações pedagógicas.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

9 maneiras de ser um professor mais eficiente

Texto: Brasílio Neto - Revista Profissão Mestre
1. SÃO OS ALUNOS QUE IMPORTAM - Alguns professores sentem-se extremamente orgulhosos de seus cargos. E dá até para entender a razão. Afinal, são anos e anos de pesquisas e estudos para estar ali, naquela sala de aula. E agora aqueles alunos seriam os sortudos que iriam beber da sabedoria dele por todo ano letivo. Aqueles que pensam assim estão construindo uma imensa barreira entre eles, os estudantes e o aprendizado. Os melhores mestres vêem a si mesmos como guias. Eles compartilham o que sabem, porém entendem que eles não são o foco principal daquela sala de aula. Seus discípulos o são. Não se deve perguntar "o que eu vou fazer hoje", mas sim "o que eu espero que meus alunos façam/aprendam hoje". O planejamento do dia fica muito mais fácil.
2. ESTUDE OS ESTUDANTES - Imagine um professor entrando em sala de aula dizendo: - Bom, abra seu livro na página... na página que vocês encontrarem essa matéria. Nada pior para a imagem, não é mesmo? Se é importante conhecer o material didático, imagine entender seus alunos. Que, ao contrário dos livros, não são feitos em série. Cada um possui uma particularidade, algo que o faz único. É fácil imaginar que é complicado descobrir o que cada um deseja, o que motiva seus estudantes. Mas faça uma analogia. Imagine que um amigo que mora longe lhe telefona. Ele diz que está em sua cidade e quer fazer-lhe uma visita, como se chega em sua escola? Qual a pergunta que você faz nessa situação? - Você está perto do quê/em que rua? Logo em seguida, pergunta se ele está a pé ou de carro. A partir daí, pode indicar o caminho certo para se encontrarem. Da mesma forma, seus alunos. Se você quer que eles tenham aprendido alguma coisa no final do ano, primeiro descubra onde estão, quais os recursos que possuem.
3. SE VOCÊ QUER QUE ELES SE ARRISQUEM, OFEREÇA SEGURANÇA - Parece estranho, mas aprender pode ser uma atividade desconfortável. Os discentes têm que descobrir o que eles não sabem, jogar fora muito daquilo que eles achavam que sabiam. Por isso, crie um ambiente de segurança. Iluminação e cores corretas ajudam, além de diversos outros detalhes ao alcance do professor: A - Decore as paredes com os trabalhos dos alunos, ou fale sempre nos exemplos e nos casos que eles trazem para sala. A idéia é fazer com que a sala de aula seja um lugar que pertença a eles, alunos.B - Da mesma maneira, crie um pequeno ritual para início de aula. Pode ser algo simples, como entrar e dar bom dia de determinada maneira, ir até um ponto da sala e sorrir. Com isso, os alunos percebem, inconscientemente, que eles estão em terreno conhecido e que não há o que temer.
4. VULNERABILIDADE NÃO COMPROMETE A CREDIBILIDADEUm professor não precisa ter todas as respostas. Se você disser "eu não sei", isso não significa que sua classe vai acreditar menos em você. Ao contrário, seus alunos irão admirá-lo ainda mais.
5. REPITA OS PONTOS IMPORTANTESO norte-americano William H. Rastetter foi professor da Universidade de Harvard antes de ser chamado para dirigir uma grande empresa. Ele passa uma regra para seus colegas: "A primeira vez que você diz alguma coisa, as pessoas escutam. Se você fala uma segunda vez, as pessoas reconhecem aquilo; e se você fala uma terceira vez, elas aprendem." O desafio é fazer isso de forma que você não se torne chato ou repetitivo. Mude as palavras, passe conceitos através de exercícios e experiências. Use sua criatividade.
6. BONS PROFESSORES FAZEM BOAS PERGUNTASFazer perguntas que se respondam com "certo" ou "errado" não estimula uma boa discussão em sala de aula. Procure fazer perguntas abertas. Por que isso funciona assim? Qual a razão dessa reação/atitude? E se fizéssemos de outra maneira?
7. ESCUTE MAIS DO QUE FALAAo lecionar, aquilo que você faz é tão importante quanto aquilo que você diz. E escutar o que seus alunos têm a dizer significa que você se importa com eles, que leva em consideração as idéias da classe. Permita momentos de silêncio em sala de aula, eles significam que o conhecimento está sendo processado. E lembre-se, nem sempre seus alunos se comunicam por palavras. Fique atento aos sinais não escritos, como olhares, movimentos, entre outros.
8. PERMITA QUE OS ALUNOS ENSINEM ENTRE SIVocê não é a única fonte de conhecimento disponível a seus alunos. Eles também aprendem entre si. Uma turma de alunos funciona como um triângulo de aprendizado, no qual o professor é apenas um vértice. Use essa força a seu favor. Dê a seus alunos pequenos textos, e peça que eles o interpretem entre si para responder uma questão. Naturalmente eles escutam mais uns aos outros para encontrar a solução mais adequada.
9. PAIXÃO E PROPÓSITOO que faz a diferença entre um bom professor e um excelente professor não está nos cursos feitos. Não aparece nas teses defendidas nem nas pesquisas feitas. Independe dos anos de profissão. É a paixão pelo lecionar, por estar ali, todos os dias. É algo que contagia os estudantes e que não pode ser fingido.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Como estudar Física

Existem, basicamente, três tipos de alunos para a Física:
- aqueles que não cultivam nenhuma admiração, no entanto, precisam estudar para a prova;
- aqueles que embora não pretendam seguir uma carreira de Exatas, cultivam uma simpatia acima da média;
- e, por fim, aqueles que realmente pretendem seguir carreira na Física ou em área a ela relacionada.
Cada um destes três grupos possui características que lhe são bem peculiares, necessitando de métodos específicos para os objetivos a serem atingidos. Não é à-toa que existem cursinhos específicos de alta qualidade que simplesmente fazem um estrondoso sucesso.Vamos , porém, procurar, de forma generalizada, citar alguns conselhos indispensáveis para quem quer ou precisa estudar Física. Condições básicas como um bom lugar para estudo, boa alimentação, qualidade de vida e local adequado, vamos considerar que já sejam supridas.Vamos ao assunto, enumerando (na medida do possível) os itens:
1 - Faz-se necessário que se tenha uma boa bibliografia para consulta. Consultar o mesmo assunto segundo explicações diferentes habilita-nos a visualizá-lo de diferentes formas. Duas situações podem ocorrer: você conseguirá esclarecer pontos ainda duvidosos e (ou) reforçar conceitos já assimilados, abrindo a porta para que seu cérebro possa assimilar o conteúdo da forma mais simples possível;
2 - Em sala de aula ou mesmo como auto-ditadata é muito válido que se tome notas e resumos sobre assuntos que se julguem necessários. Estas notas podem ser para que não venhamos nos esquecer sobre algum conceito ou, ainda, para que futuramente possamos esclarecer ou explorar melhor algum ponto que possa ser melhor compreendido;
3 - Estudar com regularidade em horários e cargas previamente definidos. Desta forma evita-se o acúmulo de dúvidas bem como se permite que entremos em intimidade com o assunto que passará a ser visto com maior familiaridade, facilitando a abstração do conteúdo;
4 - Boa base matemática. A Física é explicada quase sempre através de fórmulas matemáticas. As equações (sistemas de equações) em especial são sempre exploradas desde o início do estudo em Cinemática, por exemplo. Suponhamos que você queira saber os instante do encontro de dois móveis que se movimentem em sentido contrário numa mesma estrada. De nada adianta conhecer os conceitos se você não compreender que se deve igualar (resolver) as respectivas equações do movimento;
5 - Entender que a Física possui determinados tópicos, os quais devem ser estudados em seus diferentes capítulos na seqüência mais lógica possível, objetivando facilitar a compreensão e o desenrolar do conteúdo de forma mais natural. O crescimento da complexidade do assunto (dentro do tópico) ficará muito mais fácil de ser assimilado. Perceba que com conceitos básicos de movimento uniforme se torna muito mais fácil a compreensão do movimento uniformemente variado e com este se torna simples estudar lançamento de projéteis, no entanto, se quiséssemos aplicar a ordem inversa no aprendizado a assimilação dos conteúdos ficaria muito mais difícil;
6 - Resolver exercícios com frequência para colocar à prova a parte teórica. Além de servir para a fixação do conteúdo estudado, durante a resolução de problemas podemos diagnosticar falhas no aprendizado e ampliar o conhecimento através do esforço e criatividade mental. Resolver de forma correta um exercício é consequência de muita prática e disto trataremos em outro post;
7 - Ter consciência de que nossa mente funciona como um poderoso banco de dados e sempre que uma situação-problema nos é apresentada ela procura um modelo que possa ser comparado e sirva como base para a resolução. Por isto procure abstrair o maior número de “Exercícios Modelos”, certamente eles serão a “luz no fim do túnel” quando você se deparar com aquelas questões escabrosas da Física;
8 - Estar ciente de que, em geral, ciências exatas, em especial a Física, requerem persistência e muita força de vontade. Ter objetivos e metas a serem atingidos fazem do estudo uma verdadeira aventura.
Lembre-se: O desafio de aprender nunca se acaba!Existem pessoas que estudam em silêncio, outras com música... Sentados ou em pé. O mais importante é que seja uma condição que lhe propicie um equacionamento entre conforto físico e mental. É altamente recomendável que você estude em condições que lhe permitam o melhor estado de concentração possível.
Existe muito mais a ser dito sobre como estudar, em especial a Física, no entanto, as bases são estas.
Sucesso!!!

Nova pista na busca pela matéria escura

Partículas de alta energia detectadas em raios cósmicos podem vir desse componente do universo.
Dados recentes acrescentam mais uma peça ao quebra-cabeça da existência da matéria escura, substância invisível responsável pela maior parte da massa do universo. Uma colaboração internacional detectou em raios cósmicos que chegam à Terra um inesperado excesso de um tipo de partícula com alta energia, que poderia ser resultado da destruição desse componente ainda desconhecido.
Os raios cósmicos são partículas atômicas extremamente penetrantes que se deslocam no espaço a velocidades próximas à da luz. Em seu trajeto, essas partículas se chocam com átomos do meio interestelar e dão origem a novas partículas e a antipartículas (corpos simétricos às partículas elementares da matéria, porém com carga elétrica oposta, que constituem a chamada antimatéria). Segundo modelos físicos padrões, as antipartículas compõem apenas uma pequena fração dos raios cósmicos que atingem a Terra. Por serem produzidas a grande distância (no meio interestelar), elas perdem energia ao longo do caminho e não têm força suficiente para chegar ao nosso planeta. Logo, quanto mais alta a energia de um raio cósmico, menor deve ser a quantidade de antipartículas encontradas. Esse preceito, no entanto, foi desafiado por dados coletados pelo detector de partículas Pamela entre julho de 2006 e fevereiro de 2008 e publicados esta semana na revista Nature. Pesquisadores da Itália, Rússia, Suécia e Alemanha analisaram raios cósmicos com energia entre 1,5 GeV (sigla para gigaeletronvolt, medida de energia equivalente a 10 9 eletronvolts) e 100 GeV e detectaram um grande e surpreendente crescimento do número de pósitrons (a antipartícula do elétron) nas faixas de energia mais altas. “Os dados do Pamela mostram claramente que a fração de pósitrons aumenta significativamente com a energia”, dizem os cientistas no artigo que descreve os resultados. Esse excesso de pósitrons também foi observado por outros grupos em experimentos estatisticamente limitados com raios cósmicos de faixas de energia mais altas. Segundo a física de partículas Renata Zukanovich, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), as medições anteriores têm alta taxa de incerteza. “Os resultados do Pamela têm margem de erro muito pequena, mesmo levando em conta o grau de imprecisão do experimento”, ressalta. Fonte misteriosa de antipartículas Mas qual seria a explicação desse resultado surpreendente? Para os pesquisadores, o excesso de pósitrons só pode ser justificado pela existência de uma outra fonte de antipartículas que não seja a interação dos raios cósmicos com átomos do meio interestelar. Um dos candidatos a preencher esse posto – e o que desperta maior agitação na comunidade científica – é a misteriosa matéria escura presente em nossa galáxia. Embora nunca tenha sido detectada diretamente, a existência da matéria escura no universo pode ser deduzida de seus efeitos sobre a matéria visível. Quando duas partículas de matéria escura se encontram, elas podem se aniquilar e produzir, assim, diversas partículas subatômicas, como os pósitrons.
Há ainda uma segunda hipótese para o excesso de pósitrons dos raios cósmicos: sua emissão por objetos astrofísicos como pulsares (estrelas de nêutrons muito pequenas e densas) ou microquasares (réplicas em pequena escala dos quasares, que se acredita serem centros de galáxias ativados por buracos negros). Mas esses objetos teriam que estar localizados próximos da Terra, para que as antipartículas não perdessem sua energia durante a propagação no espaço. Por enquanto, os registros do Pamela são insuficientes para determinar qual seria a fonte das antipartículas. Mas o experimento continuará fazendo medições para analisar raios cósmicos de uma faixa de energia mais alta. Esses dados, combinados com as medições já divulgadas, permitiriam distinguir entre a emissão de antipartículas pela destruição da matéria escura ou por objetos astrofísicos como pulsares. “Na melhor das hipóteses, os resultados do Pamela serão um sinal inequívoco de matéria escura”, comenta Zukanovich. “E, mesmo que essa hipótese não se confirme, os dados são importantes e devem gerar novas pesquisas, porque não se conhece qualquer objeto astrofísico nas proximidades da Terra que emita pósitrons com essa abundância.” Segundo o físico teórico Rogério Rosenfeld, do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), as medições do Pamela, se interpretadas como indício de aniquilação de partículas de matéria escura, têm grandes implicações para o estudo desse componente do universo. Rosenfeld conta que o modelo mais bem desenvolvido teoricamente sobre a composição da matéria escura – chamado de teoria da supersimetria – tem sérias dificuldades para explicar os novos dados. “Um dos problemas é o número de pósitrons detectados, que requer uma probabilidade de aniquilação maior do que a prevista pelo modelo”, diz. “Desde que os resultados do Pamela foram anunciados à comunidade científica, em outubro de 2008, dezenas de novos modelos de matéria escura foram propostos para explicá-los.” A resposta para todo esse enigma talvez venha à tona quando o maior acelerador de partículas do mundo – o LHC (sigla em inglês para Grande Colidor de Hádrons) – entrar efetivamente em funcionamento. Se esse dispositivo for capaz de produzir partículas de matéria escura – como se espera –, será possível elaborar um modelo teórico para o comportamento dessas partículas na faixa de energia analisada pelo Pamela e, assim, comprovar a origem do excesso de antipartículas nos raios cósmicos.

Texto: Thaís Fernandes Ciência Hoje On-line 02/04/2009

Evolucionismo e criacionismo no século 21

Credibilidade da teoria da evolução biológica é baixa entre universitários brasileiros, mostra artigo
Embora o evolucionismo darwiniano, que está completando 150 anos, seja tido como uma das mais relevantes teorias da história da ciência, organizações de cunho religioso vêm tentando incluir no currículo escolar a concepção criacionista – descrita na Bíblia – da origem da Terra e da vida. Esse movimento está presente em vários países, inclusive no Brasil, onde, mesmo entre estudantes universitários, a credibilidade da teoria da evolução biológica, e mesmo de outras realizações científicas, ainda é baixa. Foi o que revelou uma pesquisa realizada com alunos da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná. A ideia da evolução biológica provocou uma mudança radical na maneira como enxergamos a natureza e a nós mesmos. Após o surgimento dessa ideia, a semelhança entre espécies distintas passou a ser explicada pelo fato de compartilharem ancestrais em comum. Da mesma forma, a diversidade genética dentro de uma espécie deixou de ser vista como um ‘defeito de fabricação’, tornando-se a matéria-prima da evolução. E, sobretudo, a evolução de caracteres adaptativos – desde a melanina que determina a cor da nossa pele até a visão aguçada de uma águia – começou a ser interpretada como fruto da sobrevivência e da reprodução diferencial de indivíduos geneticamente distintos. Entretanto, no momento em que se comemoram os 150 anos da publicação do livro A origem das espécies, do naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882), um dos autores da teoria da evolução das espécies pela seleção natural, o debate criacionismo versus evolucionismo parece não ter arrefecido. Na verdade, em diferentes países (em especial os EUA), um movimento de cunho fortemente religioso tem, nos últimos anos, tentado impor ao sistema público de ensino uma visão religiosa da origem e evolução da vida. De modo simplificado, podemos dizer que esse movimento criacionista envolve grupos religiosos radicais que rejeitam a teoria da evolução biológica em favor de um criador sobrenatural, tendo a Bíblia como única fonte de indícios para explicar essa concepção. Entretanto, é preciso destacar que a rejeição à evolução biológica pode partir de grupos que não têm, necessariamente, uma base cristã – como o Hare Krishna. Nesse cenário, destaca-se o papel de algumas organizações criacionistas norte-americanas, como o Instituto para a Pesquisa da Criação (The Institute for Creation Research – ICR) e o Centro para Ciências e Cultura do Instituto Discovery (Discovery Institute’s Center for Science and Culture). Essas instituições pronunciam-se de forma mais incisiva, muitas vezes trazendo à mídia questões polêmicas, como a de que a evolução é uma teoria em crise inclusive na comunidade científica, ou a de que ela carece de provas experimentais, ou a de que os próprios evolucionistas não chegam a um consenso sobre a evolução. Por esse caminho ardiloso, tentam justificar o ensino de outras teorias, além da evolução biológica, como forma de incentivar o debate e o senso crítico dos alunos. Com essa estratégia, os criacionistas têm conseguido avanços significativos dentro do sistema público de ensino em alguns estados daquele país. Formação inadequada e desconhecimento da lei Esse sucesso pode ser creditado, ao menos em parte, a alguns fatores intimamente relacionados. Um deles é a formação insuficiente ou inadequada de muitos professores a respeito da teoria evolutiva (muitos não compreendem o que significa ‘teoria científica’, ou seja, não sabem como a ciência é feita). Outro é o desconhecimento das questões legais referentes ao ensino do criacionismo nas escolas públicas dos Estados Unidos (os professores tornam-se, assim, vulneráveis às pressões de pais, estudantes, diretores de escolas e comitês de ensino). Por fim, e não menos importante, as próprias convicções religiosas de alguns professores os levam a ser criacionistas. Seguindo essa estratégia e liderados pelo professor de direito Philip Johnson, da Universidade de Berkeley, os criacionistas norte-americanos fundaram, no início dos anos 1990, um movimento denominado Desenho Inteligente (ID, de Intelligent Design). O principal objetivo desse movimento é dar uma roupagem científica a seus argumentos, para transformar o criacionismo em uma teoria respeitável e, de preferência, no meio desse processo, desacreditar a teoria da evolução. Eles esperam, desse modo, criar um sentimento geral de que o criacionismo merece o mesmo tratamento do evolucionismo, inclusive no sistema público de ensino. Pode-se dizer que o maior êxito dos criacionistas norte-americanos não tem sido obtido dentro dos Estados Unidos, mas sim na repercussão do movimento mundo afora, influenciando outros países, inclusive o Brasil. Uma pesquisa realizada em 34 países e publicada em agosto de 2006 pela revista cientifica Science mostra que, na Islândia, na Dinamarca, na Suécia e na França, mais de 80% dos adultos aceitam como verdadeira a teoria da evolução, percentual que fica em 78% no Japão. Nos Estados Unidos, porém, somente cerca de 40% dos adultos acham essa teoria válida – os outros 60% não têm certeza sobre sua veracidade ou acreditam que é falsa. Já em países como Turquia, Bulgária, Grécia, Romênia, Áustria, Polônia, Suíça e outros, mais de 40% da população acham que a teoria da evolução é falsa ou não têm certeza sobre sua validade. O debate criacionismo/evolução, portanto, é complexo e parece estar longe de um fim. A discussão, porém, é absolutamente necessária, já que pode determinar o futuro educacional de nossa própria sociedade.
Texto:
Rogério F. de Souza Marcelo de Carvalho Departamento de Biologia Geral, Centro de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Tiemi Matsuo Departamento de Estatística e Matemática Aplicada, Centro de Ciências Exatas, UEL
Dimas A. M. Zaia Departamento de Química (Laboratório de Química Prebiótica), Centro de Ciências Exatas, UEL